Nossa Senhora do Presépio


Há vinte séculos o milagre de Belém se repete na época natalina; foi o Papa Libério, fundador da Basílica romana de Santa Maria do Presépio, quem instituiu os festejos comemorativos do nascimento de Jesus Cristo. Todavia, a glória de ter difundido o presépio cabe a São Francisco de Assis.



Contam que certa vez o Santo, ao voltar de Roma para passar o Natal com seus frades, devido ao cansaço da longa viagem e a neve que branqueava as estradas no rigoroso inverno, abrigou-se na casa de um amigo e benfeitor, o senhor de Vellita. Alguns dias antes da Noite Santa, Francisco lembrou ao amigo que seria interessante reproduzir a cena da noite em que o Deus menino nasceu e foi reclinado na palha úmida, tendo como companheiros, além de seus pais, apenas um boi e um jumento.



Ouvindo isso o fidalgo se apressou em realizar o desejo do Santo. Na noite de Natal foram convidados os religiosos, o povo da redondeza e principalmente os pobres da cidade. Todos levavam velas para iluminar o presépio e quando Francisco chegou alegrou-se muito com a tocante cena. A novidade se espalhou e logo os artistas começaram a modelar figuras de barro ou madeira, lembrando a adoração dos pastores e dos Reis Magos. Nos séculos XVII e XVIII os escultores esmeraram suas criações e idealizaram tipos regionais com paisagens de rua e da vida das aldeias, misturadas aos símbolos natalinos.

O Brasil seiscentista, por intermédio dos jesuítas e franciscanos, começou a idealizar motivos brasileiros como ambiente para as representações do nascimento de Cristo. Era costume rezar sempre a Missa do Galo diante de um presépio de Belém. Temos noticias de belos retábulos natalinos confeccionados por escultores anônimos. Um dos mais famosos presépios foi o do velho Francisco José de Barro, no Rio de Janeiro. Conta-nos o saudoso cronista Vieira Fazenda que ele representava a cidade de Belém com casas térreas, sobrados, igrejas, carroças, lampiões, vendedores ambulantes, escravos trabalhando, enfim, várias cenas que davam à cidade de Davi um aspecto pantagruélico e anacrônico. Aquele célebre retábulo era visitado por todos, desde o mais humilde escravo até o próprio imperador D. Pedro II e sua família.

São muitos conhecidos os ceramistas do Vale do Paraíba que se especializaram em figuras de presépio, destacando-se entre eles o Chico Santeiro de Aparecida, que apresentou um bonito conjunto de doze figuras durante as comemorações do IV Centenário de São Paulo. Infelizmente esta arte tradicional está desaparecendo e cabe ao Museu do Presépio da capital paulista a missão de incentivá-la e restaurá-la.

A invocação de Santa Maria do Presépio é semelhante à da Senhora Mãe de Deus, apenas com a diferença de que nela aparecem, além de São José, Nossa Senhora e o Menino Jesus , os pastores e os Reis Magos, que não figuram nas imagens da Madre de Deus. Na antiga Sé do Rio de Janeiro, dedicada a São Sebastião e posteriormente demolida, havia um grande painel de Nossa Senhora do Presépio e sua festa era celebrada todos os anos pelo povo carioca na oitava de Natal.

O Forte do Presépio, berço da cidade de Belém do Pará e quartel-general da conquista da Amazônia, assim como o Forte dos Reis Magos, semente da capital do Rio Grande do Norte, foram as principais homenagens militares ao grande mistério natalino.

Ao completarmos as imagens da sagrada Família e dos santos Reis diante do Presépio de Belém devemos lembrar que ali, naquele modesto recanto de Judeia, numa humilde estrebaria iniciou-se uma nova era para toda a humanidade.

Icononografia

Denomina-se Nossa senhora do Presépio a todas as imagens da Virgem Maria que aparecem nas representações da natividade de Cristo ao lado de São José e com a presença dos pastores e dos Reis Magos. Geralmente ela se apresenta de joelhos e com as mãos postas, adorando o seu Divino Filho, deitado sobre as palhas da manjedoura.

via A12

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