O Estado Islâmico vai tentar matar o Papa este mês no Egito?



O Vaticano confirmou que o Papa Francisco manterá a sua viagem já programada ao Egito, nos dias 28 e 29 deste mês, apesar dos atentados que o grupo terrorista Estado Islâmico perpetrou naquele país contra duas igrejas cristãs coptas neste Domingo de Ramos, matando pelo menos 44 pessoas e deixando mais de 100 feridos, inclusive crianças.





A viagem do Papa Francisco e seus riscos


Assim que o Vaticano confirmou a viagem pontifícia ao Egito, milhares de internautas manifestaram nas redes sociais um misto de apoio e apreensão por causa dos riscos envolvidos. Colunistas e comentaristas internacionais de vários veículos de imprensa escreveram sobre o caso e chegaram a sugerir, ou mesmo pedir abertamente, que Francisco evitasse a viagem. Entre os comentários que mais repercutiram e foram citados por outros jornais está o de Gustavo Chacra em seu blog no site Estadão. Para ele, “o Estado Islâmico vai tentar matar o Papa Francisco no Egito no final de abril”.
Na avaliação do colunista, o Egito não tem qualquer capacidade de proteger o Papa Francisco, dado que vem fracassando notavelmente em proteger seus próprios cidadãos cristãos. Os coptas, a propósito, têm denunciado que são mesmo considerados cidadãos de segunda classe e sofrem contínua discriminação no seu próprio país, tanto por parte da maioria islâmica (90% da população egípcia) quanto das autoridades em geral.
Apesar do cenário sombrio, o Papa Francisco pretende prestar solidariedade aos cristãos do Egito, que se dividem entre ortodoxos (a maioria), católicos e protestantes, além de manter encontros com o presidente Abdel Fattah al Sisi, com o grande imã da mesquita de Al Azhar, Ahmed el Tayeb, e com Tawadros II, patriarca dos cristãos coptas ortodoxos, que tinha estado em uma das igrejas atacadas na manhã deste Domingo de Ramos, mas já havia saído quando ocorreu a explosão no local.




Para complementar o quadro de risco, é sabido que o Santo Padre costuma recusar algumas medidas de segurança, como veículo blindado: ele faz questão de se encontrar diretamente com as pessoas e andar em meio a elas como gesto de proximidade. O desafio de proteger Francisco já foi admitido em ocasiões anteriores até mesmo por responsáveis pela sua guarda no Vaticano, como você confere nesta matéria sobre potenciais atentados contra a vida do pontífice.
O risco, em suma, existe sempre e em todo lugar, mas é relativamente manejável na Europa. Já no Egito a situação é completamente diferente. O mesmo colunista Gustavo Chacra, para embasar a sua opinião de que o Santo Padre deveria cancelar a viagem, comenta o que considera que aconteceria caso o Papa Francisco sofresse um atentado no país:



“Caso matem o Papa no Egito, será o golpe final em qualquer esperança de tolerância religiosa ao redor do mundo. O maior líder cristão morrer em um atentado cometido por jihadistas em uma nação majoritariamente islâmica terá reflexos por gerações na forma como católicos e cristãos em geral no Ocidente verão a comunidade muçulmana, ainda que um grupo terrorista, e não a religião, seja responsável”.
Precedentes
Ao longo da história da Igreja, houve inumeráveis tentativas de assassinato contra papas. Nas décadas recentes, a mais grave foi a cometida contra São João Paulo II em plena Praça de São Pedro: o papa polonês levou dois tiros disparados pelo turco Mehmet Ali Ağca em 13 de maio de 1981, dia de Nossa Senhora de Fátima. Os médicos chegaram a temer seriamente pela vida do pontífice, que, de modo surpreendente, sobreviveu e declarou que “uma mão disparou, mas outra mão guiou a bala”, em referência à estranha trajetória do projétil ao se “desviar” de órgãos vitais. 

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