Deus, o homem e os animais


Um caso de crueldade contra os animais chocou muita gente essa semana imagens de câmera de segurança mostram que funcionários do Carrefour de Osasco teriam espancado e envenenado cachorro de rua.



Esse caso nos leva a refletir a relação Deus, homens e animais.



O Catecismo da Igreja ensina: 



§2416 – “Os animais são as criaturas de Deus que os envolve com a sua solicitude providencial. Pela sua simples existência, eles o bendizem e lhe dão glória. Também a eles os homens devem carinho. Lembremos com que delicadeza os santos como São Francisco de Assis ou São Filipe Neri tratavam os animais”.

§2417 – “Deus confiou os animais à administração daquele que criou à sua imagem. É, portanto, legítimo servir-se dos animais para a alimentação e a confecção das vestes. Podem ser domesticados para ajudarem o homem em seus trabalhos e lazeres. Se permanecerem dentro dos limites razoáveis, os experimentos médicos e científicos em animais são práticas moralmente admissíveis, pois contribuem para curar ou poupar vidas humanas”.

§2418 – “É contrário à dignidade humana fazer os animais sofrerem inutilmente e desperdiçar suas vidas. É igualmente indigno gastar com eles o que deveria prioritariamente aliviar a miséria dos homens. Pode-se amar os animais, porém, não se deve orientar para eles o afeto devido exclusivamente às pessoas”.

De forma muito clara, A VIDA ANIMAL corre perigo, com a possibilidade de extinção de muitas espécies; assim como ocorre com o meio ambiente e o uso desordenado dos recursos no planeta. Não somente a presença humana no Planeta, o extrativismo, a poluição e a ocupação humana nos habitat faz com que os animais sofram; a produção industrial de alimentos, esportes sangrentos e o abandono de animais de estimação pioram essa triste situação.

É fundamental registrar que o documento central para a fé de metade do planeta, a Bíblia, registra diversas referências aos animais, curiosamente esquecidas nas pregações, estudos e exposições bíblicas. As Escrituras Sagradas para judeus e cristãos registram que o Criador sempre teve cuidados especiais com os animais, regulou o manejo e o tratamento com estes, e sempre refutou claramente os maus-tratos.

Inicialmente, o livro de Gênesis registra que, depois de criar os peixes, as aves e os animais terrestres, Deus pôde ver que tudo era bom(Gênesis 1: 21,25). O Criador tomou medidas para que os animais se desenvolvessem bem em seu habitat. O Salmista exalta que Deus …dá aos animais o seu alimento (Salmos 147:9). De fato, Deus criou um ecossistema que proviesse mais do que alimento suficiente e abrigo aos animais.

Veja, o Rei Davi, de Israel, disse em oração: Salvas o homem e o animal, ó Jeová (Salmos 36:6); durante o Dilúvio global, por exemplo, Deus preservou oito pessoas, além de animais de todos os tipos, ao destruir a humanidade perversa (Gênesis 6:19); ao orientar Noé a sair da arca, além de abençoar a raça humana, o Senhor abençoou também os animais (Gênesis 8:15-17). É evidente que o Criador valorizou a sua criação animal, e Ele espera que os humanos tratem os animais com o devido respeito, mesmo que tenha concedido permissão a Adão a nomear os animais, e sujeitá-los a si. Mas há claras regras contra os maus-tratos. Pelo texto bíblico, Deus nunca o autorizou a tratar os animais com crueldade.

A Bíblia diz: 

O justo importa-se com a alma do seu animal doméstico, mas as misericórdias dos iníquos são cruéis (Provérbios 12:10). As Escrituras dizem que Deus odeia a quem ama a violência (Salmos 11:5); assim, é lógico concluir que Deus não quer que os humanos machuquem nem matem animais simplesmente por prazer ou esporte.

O livro do Êxodo registra que o dia destinado ao descanso da nação israelita também se estendia aos seus animais, como o touro e o jumento, notoriamente animais utilizados em tração e carga (Êxodo 23:12); aos animais seria também, aliás, extensivo o descanso previsto no chamado ano sabático (Êxodo 23:11). 

É notável que, embora nenhum trabalho fosse permitido nesse dia sagrado, os animais em perigo deveriam ser socorridos (Lucas 14:5). Destaque-se que, pelas Escrituras, Deus também ordenou que o gado não fosse privado de alimento enquanto trabalhasse e que os animais não transportassem cargas muito pesadas (Êxodo 23:5; Deuteronômio 25:4). Era proibido colocar um touro e um jumento sob o mesmo jugo, ou canga, evitando prejudicar os animais (Deuteronômio 22:10) Assim, fica claro que a Bíblia ensina que o manejo com os animais deveria ser regulado, e o tratamento, respeitoso. 

Embora muitos pessoas pensem em si, e desconsiderem os danos causados aos animais, Deus se preocupa com eles. Quando o profeta Jonas mostrou falta de misericórdia quando os habitantes de Nínive se arrependeram e foram poupados do julgamento divino, registra a Bíblia a resposta Divina: Eu, da minha parte, não devia ter pena de Nínive, a grande cidade, em que há mais de cento e vinte mil homens que absolutamente não sabem a diferença entre a sua direita e a sua esquerda, além de haver muitos animais domésticos? (Jonas 4:11). Isso prova que o Criador pensou também nos animais.

Também, Se de caminho encontrares algum ninho de ave, nalguma árvore ou no chão, com passarinhos, ou ovos, e a mãe sobre os passarinhos ou sobre os ovos, não tomarás a mãe com os filhotes… (Deuteronômio 22:6,7). O versículo 7 mostra a preocupação de Deus com a preservação das espécies de animais.

No Novo Testamento, Jesus chegou a dizer que um único pardal não cai ao chão sem o conhecimento de seu Pai (Mateus 10:29); em contraste com isso, os humanos, mesmo com as melhores das intenções, não conseguem entender plenamente como suas ações afetam o meio ambiente. Os humanos precisam mudar de atitude para cuidar de seus interesses sem desrespeitar a vida selvagem. O livro de Jeremias faz uma interessante relação entre a maldade humana e a morte de animais (Jeremias 12:4).

Curioso destacar que o próprio Deus é comparado na Bíblia a um leão, um leopardo, um urso (Oseias 13:7-8), e uma águia (Deuteronômio 32:11). E o Espírito Santo a uma pomba (João 1:32) revelando-se como um pássaro puro e suave, no batismo de Jesus (Mateus 3:16). Já Jesus foi descrito como, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 1:29); para os cristãos, Jesus aboliu os antigos sacrifícios de animais estabelecido no Velho Pacto, já que seu sacrifício foi o final. O livro de Hebreus registra entre outras coisas (Hebreus 10: 4-7; 12-26) que o sangue de touros e bodes nunca pode tirar os pecados; aliás, as Escrituras revelam a ira de Deus contra o pecado do homem condenando o tipo de matança de animais religiosamente praticado como um mero disfarce para a desobediência humana (Salmos 40:6-10).

Afinal, a Bíblia descreve o tempo em que, sob o Reino de Deus, entre outros efeitos, virá a administração correta do Planeta e da Natureza, com toda a Criação junta no Céu e na terra (Efésios 1:10), prevalecendo a harmonia entre o homem e os animais: O lobo, de fato, residirá por um tempo com o cordeiro e o próprio leopardo se deitará com o cabritinho, e o bezerro, e o leão novo jubado, e o animal cevado, todos juntos; e um pequeno rapaz é que será o condutor deles. E a própria vaca e a ursa pastarão; juntas se deitarão às suas crias. E até mesmo o leão comerá palha como o touro. E a criança de peito há de brincar sobre a toca da naja; e a criança desmamada porá realmente sua própria mão sobre a fresta de luz da cobra venenosa (Isaías 11:6-8). Para muitos, o destino da Criação, segundo a Bíblia, sempre foi estar junto e em harmonia.

Devemos seguir o exemplo de São Francisco de Assis,Por ser um jovem de alma sensível, cheio de amor aos pobres e a Deus, soube ver o Rosto de Deus espelhado na natureza, não apenas nos animais, mas em tudo que Deus criou. Esta é uma lição que precisamos aprender com São Francisco: encantar-se com tudo que Deus criou, com toda a beleza, harmonia e perfeição. Dar glória e louvor a Deus pela criação. Rezamos na Missa: “O Céu e a Terra proclamam a Vossa glória”.

Francisco era um irmão universal

“Tudo o que criastes proclama a Vossa glória”. O salmista canta com alegria: “Os Céus cantam a glória de Deus, e o firmamento proclama a obra de suas mãos” (Sl 18,1). Assim, este grande santo, viveu toda a sua vida de oração, meditação e louvor a Deus, contemplando a Sua obra, desde a menor formiguinha até o astro sol. No seu belo canto ao “irmão Sol com irmã luz”, ele chama o sol e a luz de irmãos, filhos do mesmo Pai. “Irmã flor que mal se abriu, fala do amor que não tem fim. Água irmã que nos refaz, e sai do chão cantando assim: aleluia!”

Francisco era um irmão universal. Não só dos animais e dos vegetais, do cosmos e das estrelas, mas também de todos os homens, mulheres e crianças, e especialmente os pequenos, pobres e doentes. Não existiu homem que fosse estranho ao seu coração: leprosos, bandoleiros, nobres ou plebeus; todos eram seus irmãos. Ninguém como ele irmanou-se tanto com o universo.

Francisco e os animais

Há muitas histórias de São Francisco com os animais. Uma das histórias sobre o Santo diz que bandos de andorinhas o seguiam continuamente formando uma cruz e que em uma ocasião, na qual ele ia pregar em Alvino, disse: “Irmãs andorinhas, agora eu tenho que falar comigo.”

Em outra ocasião, ele amansou um lobo selvagem dizendo: “Venha aqui Irmão Lobo, mando-te da parte de Cristo, que não faças nenhum mal a mim nem a ninguém”. E quando estava no monte rezando, um pássaro lhe avisou que era a hora da oração da meia-noite. Eu penso que esta seja uma boa oportunidade para aprender o que a Igreja ensina sobre os animais. Papa Bento XVI disse, certa vez, que “a existência dos animais se limitava à sua vida na terra”, uma vez que eles não têm uma alma imortal, criada à imagem e semelhança de Deus, como a nossa alma.

via Front Católico
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