A Quaresma de antigamente que na minha alma ainda é presente!


Não tomar banho, não limpar casa, falar baixo, não proferir palavrões, tomar bênção dos pais e padrinhos de joelhos, não ficar até mais tarde na rua e abster se de carne, esses eram alguns costumes praticados pelos católicos durante a quaresma, mas será que essas praticas resistem a modernidade. 


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A missionária Antônia de Deus Santos, de 74 anos, casada há 48 anos e mãe de cinco filhos, afirma manter a tradição até hoje. Durante os 40 dias, toda a rotina da família é alterada. Todas as manhãs, acordam às 5h da manhã para acompanhar a novena da misericórdia pela TV, se confessam, oram diariamente e fazem abstinência de carne durante toda a semana santa.

Dona Antônia contou que no período da quaresma vai à igreja diariamente fazer suas orações. Quanto a não ingerir carne, ela contou que passa a semana santa inteira comendo peixe e também não permite que os familiares ouçam nenhum tipo de música.

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Na Sexta-Feira Santa, a casa de dona Antônia não é limpa, nem é permitido falar alto, pois é dia de silêncio e oração. Os filhos dela visitam os padrinhos para tomar a bênção e nada de carne vermelha.

“Neste período, minhas orações são mais intensificadas. Por exemplo, só hoje já orei três salmos e rezei a novena da misericórdia junto com minha família. Estudei em um convento, então, desde criança, conheço todos estes costumes e repassei para minha família e faço questão de preservá-los e respeitá-los até hoje”, afirmou.



Nem todos seguem à risca os costumes, porém, tentam preservar alguns deles e os tomam como prioridade. É o caso da ministra de Eucaristia, Maria Dourado. Ela afirma que a principal mudança foi em relação à abstinência da carne, que atualmente só faz da quarta-feira até a Sexta-Feira Santa, mas antigamente ficava o período inteiro sem comer carne.

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Dona Maria explicou que a quaresma é um período em que os católicos procuram mais as igrejas para participar das missas, se confessarem, buscando a reconciliação e o perdão e assim ficando mais próximos de Deus. 

“No meu tempo, na Sexta-feira Santa, quem tinha o nome de Maria não tomava banho, não molhava o cabelo, só se asseava rapidinho de manhã, não falava alto, não brincava. Hoje em dia, alguns desses costumes se perderam. Eu mantenho a abstenção de carne desde a quarta-feira até a Sexta-Feira Santa”, relatou. Para o jovem Carlos César Lima, de 18 anos, vivenciar a quaresma vai além da abstinência da carne vermelha, dos costumes culturais repassados pelas gerações passadas e dos ritos nas celebrações eucarísticas que são diferenciados neste período. Com o avanço das tecnologias, a cada dia as pessoas mergulham em redes sociais, aplicativos, entre outros. Durante a quaresma, é momento de fazer em exame de consciência e evitar os vícios.

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“Eu, particularmente durante a quaresma, tento me afastar das redes sociais como Facebook, WhatsApp e alguns jogos virtuais. É uma forma de jejuar espiritualmente evitar os vícios. Priorizo a abstinência de carne na quarta feira até a sexta-Feira Santa, busco a confissão, pois é a oportunidade de renovar-se espiritualmente, a comunhão com a leitura mais intensa da palavra de Deus”, finalizou.



Tempo de orações

Durante o processo de conversão, há três ações que devemos realizar. A primeira é a esmola, que marca a relação com o outro, a necessidade de servir ao próximo. A outra é a oração, que indica a relação e a intimidade com Deus.

Por fim, o jejum, que é a relação consigo mesmo, evitar comer carne vermelha e evitar fazer coisas que não se devem (coisas erradas). Segundo ele, a Igreja exige o jejum na preparação da Páscoa em dois momentos, na quarta-feira de cinzas e na sexta-feira santa.
O padre descreveu alguns dos rituais que acontecem durante a missa no período da quaresma como, por exemplo: só é utilizada a cor roxa; não é permitido cantar o hino de louvor; não pode bater palma; e as missas são mais voltadas para a penitência.

“Neste período quaresmal se trabalha a campanha da fraternidade, é rezada a via-sacra todas as sextas-feiras, são realizados os encontros da Campanha da Fraternidade nas casas, mutirão de confissões, retiros espirituais e celebrações penitenciais. É um momento de reflexão”, disse.

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