Tragédia de Brumadinho: 'Somente a fé tem o poder de nos manter de pé'


Passados 17 dias da tragédia que atingiu os moradores de Brumadinho, após o rompimento da barragem I da mina de Córrego do Feijão, a dona de casa Nilma Aparecida Silva, 58, enumera na porta da igreja Matriz São Sebastião a perda de pelo menos três pessoas próximas de sua família. “Eu fiquei muito abalada. Só agora estou aceitando, me conformando. Tenho certeza de que é pela fé. Só ela tem o poder de restaurar”, afirma Nilma. 



É nessa força – que independe de religião –, que muitos estão se agarrando para seguir em frente após tantas perdas. Segundo o bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte, dom Vicente Ferreira, que está em Brumadinho desde o dia da tragédia, visitando todas as famílias, presidindo as missas e coordenando o trabalho de voluntários, esse cuidado espiritual está ajudando a “transformar esse rio de lágrimas num rio de esperança e amor”. “Só a fé está nos mantendo de pé”, garante. 



Dona Raimunda, 79, mais conhecida como “Mundica”, é uma das benzedeiras mais conhecidas na cidade. Segurando o terço que usa nas rezas, ela lembra com carinho das pessoas que tinham costume de visitá-la, entre elas a sobrinha cujo corpo ainda não foi encontrado e da secretária Sirlei de Brito. Após passar por 14 cirurgias, a amputação das pernas e de parte dos dedos das mãos não deixou que ela duvidasse do poder da fé. “Eu tenho uma fé muito viva. Tenho feito orações e pedindo por esse povo que morreu no barro”, afirma. 

O cacique Hayó, da aldeia Nao Xohã, que fica às margens do rio Paraopeba, a 22 km de Brumadinho, também lamenta a morte do rio e diz que, agora, as 27 famílias estão pedindo a proteção do pai Tupã. “Nós estamos fazendo um ritual de agradecimento à mãe natureza e um de luta para não enfraquecermos com essa tragédia. Estamos pedindo ao pai Tupã, nosso Nhanderu (manifestação de um deus na forma do som do trovão), que venha nos confortar”, conta o cacique.

Maneira de lidar com o luto é fundamental para vencer a dor 

Quando questionado por algum familiar sobre a presença de Deus diante de tamanha tragédia, dom Vicente Ferreira responde: “Ele está aqui, chorando conosco”. O bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte cita o depoimento, que o marcou muito, de um jovem que perdeu a noiva na tragédia: “Nós não temos que ter fé em Deus para pedir para Ele livrar a gente dessas coisas, mas pedir para que, quando certas coisas acontecerem, que tenhamos força para poder estar de pé”, conta. 

Foi também o depoimento da mãe da primeira vítima identificada, a médica Marcelle Porto Cangussu, 35, que, segundo a professora residente do centro budista Kadampa Maitreya, Vanda Pereira, pode ensinar as pessoas a lidar com a morte. “Eu tenho certeza de que minha filha morreu feliz porque ela sempre quis ser médica e sempre quis ajudar os outros. Ela morreu fazendo exatamente o que ela queria”, disse a mãe de Marcelle. 

Segundo Vanda, um dos principais ensinamentos do budismo é direcionar a mente para a virtude, e isso pode ser treinado. “Se diante de uma situação como essa a nossa mente se descontrola, nós geramos raiva ou procuramos um culpado, ou seja, um ciclo de sofrimento (samsara). Culpados existem, mas nós não temos essa função. É preciso focar as boas lembranças, a oportunidade de ter tido aquela pessoa como pai ou filho. O luto existe, mas a maneira como se encara é diferente”, diz. 

Memórias 

O mural de fotos das famílias que ajudaram a reformar a Igreja Matriz São Sebastião, em Brumadinho, será trocado por fotos das vítimas, entre falecidos, encontrados e sobreviventes, conforme conta o padre Renê Lopes. O novo mural que fica na entrada da igreja será inaugurado na missa do 30º dia da tragédia, no dia 25 de fevereiro.

via O Tempo
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Comentários

Unknown disse…
Por DEUS fiquem juntos. Por um DEUS que tem amor a criatura humana. POR UM DEUS QUE AMA AS CRIANÇAS. https://youtu.be/1M5qmrm20PQ para lembrar a obra Alckmin e Aiacyda. Nazismo puramente criminoso. Com a loucura de Bolsonaro.