Um lindo testemunho da poderosa intercessão de Maria


Era como se o simples fato de Nossa Senhora ter voltado a atenção para ela, mesmo que fosse por um único instante, tenha mudado o rumo de tudo. 



Coisa rara era eu escutar músicas, mas no turbilhão do mestrado, em alguns momentos, eu precisava de algo que me levasse para outro lugar no qual não existisse os textos científicos, as normas da ABNT e os calendários sempre apertados. Foi então que uma banda chamada Anjos de Resgate segurou na minha mão em algum momento que não sei precisar. 




Quando as coisas se acalmaram e eu consegui respirar, busquei conhecer um pouco mais sobre aquelas pessoas, sobre aquela missão, sobre o que leva alguém a passar semanas longe de casa, longe da família, virando noites em aeroportos, enfrentando tempestades, investindo em um futuro as vezes incerto, só pelo prazer de subir em um palco e ter como missão cantar as coisas de um céu que, quase sempre, eles não experimentam na terra. Um céu distante das dificuldades do dia a dia de um artista. Vida de aplausos e renúncias. 

Foi então que comecei uma conversa via rede social com Diego Tiguez, vocalista da banda. Diego é um jovem de alma madura, escuta mais do que fala e mesmo quando fala, passa a impressão que silencia muita coisa. Ele parece um labirinto. Se dizem que os olhos são o espelho da alma, eu digo que os belos olhos azuis daquele homem são portões bem fechados que guardam muitas coisas.

Mas a vida me ensinou que portões fechados não são intransponíveis e que Maria Santíssima tem as chaves dos corações consagrados a Ela. Minha amizade com Diego começou quando Maria abriu um dos portões da alma dele e me guiou por um dos labirintos. Lá, eu encontrei um dos motivos das orações que brotavam de seu coração quando ele nem percebia. 

Maria se preparava para compensar todas as vezes que ele cantou sem querer cantar, que ele viajou quando queria ficar, que ele sorriu quando tinha vontade de chorar. Ela, Aquela que intercede por nós, que nem sempre pode nos conceder milagres, concedia a Diego o alivio, já que o milagre não era possível. Maria pedia a Jesus naquele momento e Ele dizia: Concedo. 

Foi em uma das suas raras mensagens enviadas durante a madrugada que recebi o vídeo no qual ele e toda sua família cantavam ao lado de Sergio Reis. No vídeo, uma música sobre Nossa Senhora de Aparecida, essa devoção que já me cerca faz tanto tempo, mas que há algo em mim que a ela ainda resiste. 

Imediatamente, ao começar a ver o vídeo, meus olhos se direcionaram para uma mulher cuja presença parecia ser resultado de muito esforço. Uma mulher que apesar da aparência tão bonita e bem cuidada, parecia que a alma estava sendo carregada nos braços pelo próprio Deus. Foi a primeira vez que eu consegui ver a alma de uma pessoa sem que importasse tudo que a esconde. 

Foi também durante a madrugada que escrevi para Diego dizendo que eu precisava mandar da água de Cimbres para a mulher do vídeo, a água da fonte que brota em gotas no lugar da aparição de Nossa Senhora em Cimbres (aparição ainda não reconhecida) e cuja tantas curas a ela são atribuídas. Eu disse que se aquela mulher estava precisando da água para ela mesmo ou, no mínimo, para alguém muito próximo. Era o que Nossa Senhora me mandava fazer e quando Ela manda, não tenha dúvidas, eu faço. 

Passaram-se semanas sem Diego abrir aquela mensagem. Não havia motivos aparentes para aquilo já que ele sempre era muito atencioso. Eu não sabia, mas novamente Nossa Senhora agia. Quando Diego viu a mensagem foi uma avalanche. Aquela mulher era sua mãe que, naquele momento em que ele me respondia, estava ao seu lado em lágrimas. Era assim que a Mãe do Céu havia preparado. 

A mãe, chamada Laura, padecia de uma doença que degenerava os olhos e ela recorria a todos os tratamentos da terra, mas com o coração voltado para o céu, esperando o auxílio que vem do alto. Era chegada a hora de Laura provar mais um pouco dos cuidados de Maria. 

Imediatamente enviei uma garrafinha com a água para Laura. Coloquei nos correios em uma época em que o serviço estava em crise, por tanto a data de entrega era inimaginável, mas como Nossa Senhora queria dar algumas confirmações para Laura, e talvez também para Diego, a água chegou no dia 6 de agosto de 2018, dia de aniversário de 82 anos da primeira aparição de Maria em Cimbres. 

Foi neste dia, chamado por Nossa Senhora como o dia da Graça, que Laura começou a usar a água e deste dia em diante ela nunca mais sentiu a dor que ela definia como se tivesse milhares de ciscos dentro dos olhos. Maria estava agindo com tudo que podia. 

É difícil definir em palavras aquilo que Deus faz, mas daquele dia em diante eu passei a acompanhar Laura em conversas diárias. Era como se o simples fato de Nossa Senhora ter voltado a atenção para ela, mesmo que fosse por um único instante, tenha mudado o rumo de tudo. Laura passou a perceber que era possível e que tudo melhoraria independente de um milagre ou não. Aliás, os milagres acontecem de diversas formas. 

Eu sabia que o milagre viria aos poucos, Laura não acordaria de um dia para o outro com tudo resolvido, parecia ser algum tipo de deserto que ela precisava atravessar, mas Nossa Senhora havia decidido que ela não atravessaria sozinha e caminhava ao seu lado. Nem sempre nossas mães podem nos livrar de nossas dores, apesar de desejarem muito fazer, mas um carinho, um chá, um acalanto, renova as forças e a gente atravessa. 

Pouco tempo depois chegou o dia do transplante de córnea para um dos olhos. Laura estava mais fortalecida, confiante, parecia sentir quem caminhava ao seu lado. Aqui o céu se encontra com a terra porque um dia Laura havia entregado a Deus um dos seus filhos, vítima de um crime de transito. Em meio a dor devastadora, a família Tiguez encontrou espaço para o amor e os órgãos do jovem Daniel deram vida nova a muitos que aqui precisavam continuar. Ele já não precisava mais, havia se despido dessa roupa que tanto pesa e com vestes brancas se colocava diante do Criador que o recebia de volta ao lar em um julgamento doce e amoroso, como significa seu próprio nome ( do hebraico dan= aquele que julga e El= Senhor, Deus.) 

A cirurgia foi um sucesso e Laura agora percorre o caminho que a levará a novamente ver tudo que Deus fez neste mundo especialmente para nossos olhos. Todos os dias os carinhos de Maria se renovam e a esperança de Laura se reacende. 

A família Tiguez que um dia deu a graça de alguém ver pelos olhos do jovem Daniel, recebe de volta, como que entregue pelas mãos do próprio filho, a mesma oportunidade para Laura. Não por acaso, Daniel é o nome de um grande profeta cujo uns dos mais belos de seus versículos diz: “Quanto a você, siga o seu caminho até o fim. Você descansará e, então, no final dos dias, você se levantará para receber a herança que lhe cabe.” (Daniel 12,13) 

Seguiremos, Daniel, seguiremos.

via Aleteia

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