O Corpo de Deus: Saiba mais sobre festa do Corpus Christi


Certa noite do ano de 1208, Joana de Mont Cornillon viu uma mancha escura na lua cheia que contemplava. O próprio Cristo revelou-lhe que essa mancha significava a ausência no calendário litúrgico de uma festa especial em honra da eucaristia, e deu a incumbência à monja belga de promover essa celebração. Em 1264, o papa Urbano IV estendeu a festa a toda a Igreja na quinta-feira após a oitava de Pentecostes. A festa de Corpus Christi surge, de certa forma, como uma resposta aos erros de Berengário e dos protestantes acerca da presença real de Cristo na Eucaristia, além de resgatar a autêntica e genuína espiritualidade eucarística popular.



A estrutura

A composição da missa ficou a cargo do grande teólogo medieval Santo Tomás de Aquino, a pedido do papa Urbano IV.  Nas orações da missa, o admirável sacramento da Eucaristia é lembrado como “memorial da páscoa” (coleta) e nele estão expressos misticamente os dons da unidade e da paz (oração sobre as ofertas); pois ao participar do banquete eucarístico, já se pode saborear antecipadamente o convívio eterno (oração após a comunhão). É também composição do Doutor Angélico o texto do Ofício de Leituras.



A Liturgia da Palavra

As leituras da missa procuram dar uma maior compreensão do mistério da Eucaristia.

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Oração de Corpus Christi
  1. As leituras do Ano A recordam os grandes prodígios do Êxodo: a água e o maná.
  2. As leituras do Ano B fazem referência ao tema da Páscoa e da aliança: o Evangelho de Marcos (Mc 14,12-16; 22-26) apresenta a instituição da Eucaristia como cumprimento da antiga Páscoa e realização da nova e eterna aliança.
  3. As leituras do Ano C propõem o tema do pão da vida, pois quando a Eucaristia é celebrada como refeição fraterna, ela se torna “pão para a vida no mundo”, aspecto contemplado pelo Congresso Eucarístico de Lourdes.
  4. Há dois Prefácios à escolha: um remete à Eucaristia como memorial do sacrifício de Cristo, e o outro à Eucaristia como vínculo de unidade e de perfeição. 


Intimamente ligada à celebração da missa, a procissão é característica da festa. O colorido dos tapetes de flores, o incenso, os cantos, a bênção e a reverência prestada à hóstia em um belo culto público permitem ao povo cristão dar um testemunho de fé e de piedade religiosa diante do Santíssimo Sacramento. Sigamos, pois, em procissão, homenageando a Cristo presente na Eucaristia e em ação de graças a Deus por tão imenso dom!
Ir. Roberta Peluso, OSB é Monja Beneditina do Mosteiro da Santíssima Trindade em Santa Cruz do Sul/RS e formada em Letras pela Universidade de Brasília/UnB.


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