CNBB: Bispos se pronunciam sobre denúncias de corrupção no Brasil


A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu uma nota nesta sexta-feira, na qual afirma que “acompanha, com espanto e indignação, as graves denúncias de corrupção política acolhidas pelo Supremo Tribunal Federal”.



A nota dos bispos foi divulgada após reportagem publicada no site do jornal ‘O Globo’ na noite de quarta-feira, 17, revelar que em delação à Procuradoria-Geral da República (PGR), os donos do grupo JBS, Joesley Batista e Wesley Batista, declararam e apresentaram gravações que apontam o envolvimento em esquemas de corrupção do presidente Michel Temer, do senador Aécio Neves e outros políticos.
“Tais denúncias – assinalam os bispos – exigem rigorosa apuração, obedecendo-se sempre as garantias constitucionais”.
Nesse sentido, afirmam que é necessário apurar os fatos e responsabilizar os autores dos atos ilícitos.
“A vigilância e a participação política das nossas comunidades, dos movimentos sociais e da sociedade, como um todo, muito podem contribuir para elucidação dos fatos e defesa da ética, da justiça e do bem comum”, acrescentam.


Os prelados reforçam o posicionamento expresso na declaração “sobre o grave momento nacional” emitida pela Conferência ao final da Assembleia Geral realizada de 26 de abril a 5 de maio, em Aparecida (SP), de que é preciso resgatar a ética e promover “um novo modo de fazer política, alicerçado nos valores da honestidade e da justiça social”.
Além disso, indicam que “é necessário que saídas para a atual crise respeitem e fortaleçam o Estado democrático de direito”.
Confira a seguir a íntegra da nota da CNBB:
Pela Ética na Política
Nota da CNBB sobre o Momento Nacional
“O fruto da justiça é semeado na paz” (Tg 3,18)
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, por meio de sua Presidência, unida aos bispos e às comunidades de todo o país, acompanha, com espanto e indignação, as graves denúncias de corrupção política acolhidas pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo a Constituição, Art. 37, é dever de todo servidor público, principalmente os que detêm elevadas funções, manter conduta íntegra, sob pena de não poder exercer o cargo que ocupa.
Tais denúncias exigem rigorosa apuração, obedecendo-se sempre as garantias constitucionais. Apurados os fatos, os autores dos atos ilícitos devem ser responsabilizados. A vigilância e a participação política das nossas comunidades, dos movimentos sociais e da sociedade, como um todo, muito podem contribuir para elucidação dos fatos e defesa da ética, da justiça e do bem comum.


A superação da grave crise vivida no Brasil exige o resgate da ética na política que desempenha papel fundamental na sociedade democrática. Urge um novo modo de fazer política, alicerçado nos valores da honestidade e da justiça social. Lembramos a afirmação da Assembleia Geral da CNBB: “O desprezo da ética leva a uma relação promíscua entre os interesses públicos e privados, razão primeira dos escândalos da corrupção”.
Recordamos também as palavras do Papa Francisco: “Na vida pública, na política, se não houver a ética, uma ética de referimento, tudo é possível e tudo se pode fazer” (Roma, maio de 2013). Além disso, é necessário que saídas para a atual crise respeitem e fortaleçam o Estado democrático de direito.
Pedimos às nossas comunidades que participem responsável e pacificamente da vida política, contribuam para a realização da justiça e da paz e rezem pelo Brasil.
Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, nos ajude a caminhar com esperança construindo uma nova sociedade.
Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB

Dom Murilo S. Ramos Krieger
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB 

Via ACI

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