História de Nossa Senhora da Visitação


Pouco depois da Anunciação, avisada pelo anjo São Gabriel de que sua prima Santa Isabel, apesar da idade avançada, esperava um filho, Maria Santíssima dirigiu-se à cidadezinha onde residia a futura mãe de São João Batista, situada na pequena aldeia de Ain-Karin.






Tal viagem, de cerca de cem quilômetros através de região montanhosa, não estava isenta de fadigas e perigos, porém a Virgem Santíssima caminhava alegremente, não apenas pelo desejo de auxiliar a parente, mas também porque sabia que levava consigo o Filho de Deus, o Salvador do Mundo.
Trazendo Jesus em seu seio, ela ia levar a graça à família do sumo sacerdote Zacarias, realizando assim, desde então, por vontade de Deus, a sua missão de Medianeira de todas as graças.
No primeiro instante em que Maria Santíssima saudou a prima, Santa Isabel, cheia do Espírito Santo, respondeu-lhe:- “Bendita és tu entre todas as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!”, e, ao sentir o filho exultando em seu seio, continuou: – “De onde me vem a honra de receber a visita da Mãe do Meu Senhor?” Então, Maria Santíssima, não sabendo mais conter a alegria de que estava possuída desde a Anunciação, respondeu-lhe com as belíssimas palavras do “Magnificat”:






“Minha alma glorifica o Senhor e meu espírito exulta de alegria em Deus meu Salvador”, profetizando em seguida que todas as gerações a chamariam de Bem-aventurada. Maria Santíssima passou cerca de três meses em casa de sua prima auxiliando-a em toda sorte de serviços e depois voltou para Nazaré.
Ainda nos dias de hoje conservam-se as ruínas da habitação de Zacarias na aldeia de Ain-Karin, e pode-se beber da água pura e cristalina da sua fonte, onde, segundo a tradição, a Virgem Santíssima saciou várias vezes a sua sede. Naquelas paragens existe também a cova em que São João Batista, ainda criança, foi escondido para escapar aos furores de Herodes, que ordenava a matança dos inocentes.
A Igreja Católica honra o mistério da Visitação, com uma festa especial decretada pelo Papa Urbano VI, em 1389, no último ano de seu pontificado, festa que passou recentemente de 2 de julho para 31 de maio.
A Santa Casa do Rio de Janeiro, seguindo as ordenações da metrópole, fazia todos os anos a procissão de Santa Isabel, que era constituída de dois cortejos, um que saía da catedral e outro do hospital. No primeiro, conduzida pelo ilustríssimo Cabido, ia a imagem da Virgem Maria. No segundo a Irmandade da Misericórdia, precedida de sua bandeira, ia ao encontro da outra procissão levando uma imagem de Santa Isabel. A cerimônia finalizava com a colocação das duas imagens no altar-mor da catedral, seguida de missa solene cantada pelo capelão da Santa Casa de Misericórdia.
Esta festa, celebrada na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro durante mais de três séculos, era assistida pelos governadores, pelos vice-reis e, após a vinda da família real para o Brasil, por D. João VI e toda corte. Depois da independência esta tradição religiosa foi conservada e os dois imperadores sempre tomaram parte na famosa procissão de Santa Isabel.
Após o término das cerimônias litúrgicas, a população ia geralmente ao hospital da Misericórdia visitar os enfermos a fim de confortá-los moralmente e levar ajuda financeira para minimizar o sofrimento dos doentes pobres.
Repetindo a bela ação de Maria Santíssima, o povo carioca cumpria assim o preceito da caridade cristã e ao mesmo tempo perpetuava a comovente tradição iniciada por Nossa Senhora ao visitar e ajudar sua prima Santa Isabel, no momento em que mais precisava do auxílio e da amizade daquela que seria a Mãe de Jesus, o filho de Deus.


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