Oração da Sexta-Feira Santa | Semana Santa


Pela manhã

A inocência da Verdade contrasta com o escárnio recebido. É o dia da ousadia, do arranque e da vertigem. No dia da verdade: o momento da entrega está-se produzindo em totalidade. Cristo sai de si mesmo por completo. Aí está a Verdade nua, crucificada. Regando amor, mas em forma de sangue que escapa de si mesmo. É o sacrifício de sua vida, mistério do maior amor.




Jesus entardece-se..., Jesus inclina a cabeça e morre. Compaixão, Tu, para nossas vidas rompidas. Servo, Tu, que entende o ofício, Toda a beleza que há na vida, Tu a oferece ao Pai desde a desnudes e a monstruosidade de teu corpo destroçado, o faz assim porque estás convencido de que Tua mensagem de amor e justiça é possível e que o projeto de Deus sobre o mundo chegará.

Acontece como sempre: muita gente que fala, que grita, que murmura; muita gente que se esconde, que nunca dá a cara. Vozes na contramão, mas que falamos? Que gritamos? Por que nos escondemos? Se recolhêssemos todas as palavras que pronunciamos na vida, se salvaria alguma? E dos gritos que fica? Em quanta inutilidade nos empregamos, quanto tempo vivido só ao nível dos instintos. Enquanto, os que sofrem ficam sem voz, sem justiça, sem pão, sem defensor. Deus, como o menor dos humanos, morre na cruz fora da cidade para não a contaminá-la.

Às três da tarde

Cristo por nós se submeteu inclusive à morte, e uma morte de cruz. Deu sua vida pelos irmãos: ensina-nos a nos amar mutuamente com um amor semelhante ao teu. Sou como um inválido, tenho minha cama entre os mortos, como arrancado de Tua mão. Olhem e vejam se há dor como a minha. Assim estás, meu Cristo, como uma ovelha que perdeu o caminho, como alguém que carrega com crimes que não são seus, como um inválido golpeado.

Perseguido até a morte, empurram sua vida ao sepulcro. Quem? Entre eles estou eu? Deus parece que se esconde e que lhe abandona. É hora do desamparo. Mas Cristo confia em seu Pai e a suas mãos encomenda-se como um carente como muitos que povoam a terra. Como o maior dos escravos, reclina sua cabeça na miséria de uma morte ignominiosa. Deus sustenta a fortaleza de seu Filho. Deus prepara a vitória: o ódio fincou a Cristo na cruz; o amor deve aliviar sua dor.



Cristo paciente, que carregado com nossos pecados subiu ao céu, nos deixou um exemplo para que sigamos seus passos. Apesar de como te trataram, nunca proferias ameaça alguma. Capacite-nos para imitar-te; que vivamos para a justiça e que, como Tu, nos ponhas nas mãos do que julga justamente: nas mãos de Deus, pai e mãe sem medida.

Que possamos te oferecer uma vida sem mentira, sem fraude. Mantém, Senhor, a unidade da Igreja, protege a teu povo santo. Congrega aos cristãos na unidade. Carrega sobre Teus ombros de Pastor a quem não crê em ti nem em teu Filho Jesus; abre-lhes os olhos e o coração. Guia os pensamentos e decisões dos governantes para que no mundo tenha paz. Concede teu consolo aos atribulados.

Pela noite

Esta árvore da cruz cujo fruto humano és Tu, Cristo Jesus, reparou o dano que o pecado causou em nós. Quando te vais, a esta hora de tua amarga morte, é o momento de te dizer: obrigado pelas Bem-aventuranças; obrigado por teu sangue derramado; obrigado por tua vida dada; obrigado por tua justiça, tua paz, teu amor inesgotável para nós. É a hora de tua generosidade: a de mostrar-nos teu amor até o extremo; a hora de dar Tua vida.



É hora do amor e da generosidade, porque só o amor salva. E com o amor a fraternidade, a justiça, a verdade e o serviço fazem-se efetivos. O ódio nos diz desde a cruz, embora não fale, que a violência, as injustiças levam à morte. Diz-nos que se alguém quer amar, que o faça como Tu que nos amou: sem limites. Que se alguém compreende o que está fazendo, que não se encerre já em si mesmo senão que abra os braços para estreitar ao irmão.

O caminho da cruz chegou a seu fim. Tudo fica terminado, consumado. Por isso, "reclinando a cabeça, entregou o Espírito". Ante este Cristo morto quero descobrir, viver, celebrar e experimentar que Deus é amor, e que Ele nos amou primeiro. Agora tenho razões para amar, porque fui testemunha de que o amor existe, de que o amor é verdade, de que o amor é Deus que nos amou sem excluir a ninguém. Toca-me agora, dando-me, me fazendo pequeno, perdoando, pondo a outra face, que é o contrário de pisar, humilhar, ferir, recusar.

Deixa-me que a Teu lado ponha minha cruz, oh Cristo. Deixa que meu sangue se misture com o Teu. Que nunca desde minha cruz blasfeme, pensando que são estéreis a dor e a morte que me une a ela. Que não esbanje minha dor e minhas horas. Que descubra que Tua morte é minha vida.

Amém!
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